O metabolismo humano é um sistema de trocas energéticas constante. Para que cada célula cumpra sua função, desde a regeneração da pele até a sinalização neural, ocorrem bilhões de reações químicas por segundo. Nesse processo de produção de energia, um subproduto é inevitável: os radicais livres. Essas moléculas, instáveis por natureza por possuírem um elétron desemparelhado, buscam incessantemente estabilizar-se roubando elétrons de estruturas vizinhas, como membranas celulares, proteínas e até o DNA. Quando esse fenômeno supera a capacidade de defesa do corpo, instalamos o estresse oxidativo, terreno propício para mutações genéticas que podem dar origem a tumores.
A biologia do dano e a defesa antioxidante Imagine uma engrenagem que, ao girar, libera pequenas lascas de metal. Se o sistema estiver bem lubrificado, essas lascas são removidas sem causar impacto estrutural. No nosso corpo, o “lubrificante” são os antioxidantes, compostos que neutralizam o radical livre cedendo um elétron sem que eles próprios se tornem instáveis. Contudo, quando há um desequilíbrio — seja por exposição excessiva a toxinas externas, como a fumaça do cigarro e radiação, ou por um metabolismo basal sobrecarregado — o dano celular torna-se crônico.
A relação entre esse acúmulo de danos e a oncologia é direta. A carcinogênese, ou o processo de formação do câncer, muitas vezes começa com uma lesão persistente no material genético da célula. Se a maquinaria de reparo de DNA não consegue corrigir a falha causada por um radical livre em uma região crítica, a célula pode passar a se dividir de forma desordenada. É aqui que entra a importância da prevenção oncológica: não buscamos eliminar os radicais livres, pois eles possuem funções importantes no sistema imunológico, mas sim gerenciar o ambiente celular para evitar o acúmulo de danos. terapia alvo fazer tratamento